1.1        Pessoa mais criativa

Gabriel Garcia Márquez em Cem Anos de Solidão foi a pessoa mais criativa com a qual me deparei. A associação que o escritor realiza entre história e ficção, entre imagens e sensações é impressionante. A forma como ele constrói seus personagens, a personalidade, a loucura, a sexualidade em uma simbiose com cores e texturas. Toda vez que eu lia algumas páginas da obra, sentia-me diferente, inspirada, observava o meu ambiente de forma diversa e começava  também a fazer associações inusitadas:

“Choveu durante quatro anos, onze meses e dois dias… O céu desmoronou-se em tempestades de estrupício e o Norte mandava furacões que destelhavam as casas, derrubavam as paredes e arrancavam pela raiz os últimos talos de plantações… A atmosfera estava tão úmida que os peixes poderiam entrar pelas portas e sair pelas janelas, navegando no ar dos aposentos… Foi preciso abrir canais para escorrer a água e desimpedi-la de sapos e caracóis, para que pudesse secar o chão, tirar os tijolos dos pés das camas e andar outra vez de sapatos.” (MARQUEZ, 1990, p. 300)

 

 

1.2       Evento estético mais criativo;

 

A obra mais criativa com a qual me deparei foi o filme: Assassinos  por Natureza (Natural  Born Killers) direção de Oliver Stone  e  roteiro de Quentin Tarantino, USA, 1994. Na época fiquei perplexa com a obra, muita informação, as imagens se movimentavam muito, como se o cenário estivesse se movendo e não apenas os atores. O filme realiza uma série de críticas à sociedade, à mídia e à busca pela fama e reconhecimento. O diretor constrói cenas que misturam imagens de câmeras de vigilância,  visões  dos personagens (como cenas que remetem ao uso  de alucinógenos), histórias em quadrinhos, imagens de uma tela de televisão ligada sem imagem, dentre outras – transmite a sensação de vários filmes dentre de um. Apesar da violência e do  sadismo presente no filme, a desconstrução da imagem fílmica e os inúmeros cortes nas imagens, quase 3.000, cinco vezes mais  do que o usual, reverberam na percepção que o espectador tem da  imagem e na sua concentração, confundindo-o.

Destaco ainda o jogo de cores do filme, que brincando com nossos cones e  bastonetes visuais, com nossa  capacidade de enxergar as cores e a luz, faz com que vejamos as cores na  tela,  em algumas cenas, antes  que elas sejam mostradas  efetivamente.  Por exemplo, quando estamos diante da cor verde e a comtemplamos exclusivamente por cerca de algum tempo e na sequencia nos deparamos com uma imagem completamente branca, ocorre uma reação física  em nossa visão,  que faz com que vejamos a cor complementar do verde no fundo branco, no caso o vermelho (Teoria das Cores  Oponentes). O filme usa esse recurso, assim, no filme enxergamos a cor vermelha surgir na tela, alguns milésimos de segundos antes das cenas de assassinados cobertos de sangue, está  também é  uma forma de descansar a  visão, alternando a saturação  das  cores.

Ana  Cristina Silva de Oliveira

 

Cena de Assassinos por Natureza (1994).

 

                                 

Cena de Assassinos por Natureza (1994).

 


 

Cena de Assassinos por Natureza (1994).

 




Cena de Assassinos por Natureza (1994).

 


Cena de Assassinos por Natureza (1994).

                                 

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