Literatura, arte e criatividade
A palavra criatividade imediatamente puxa a sua raiz: criar. Na criação, uma forma que não existia, passa a existir. A criação absoluta não nos é permitida, criamos manejando o que já existe. Deste modo, destaco como personalidade criativa Gabriel García Márquez.
Os artistas com capacidades de criar mundos sempre me chamam a atenção pela criatividade, nem sempre pelo manejo das linguagens artísticas, mas sim, pela inventividade. Uma saga como Game of Thrones, por exemplo, não oferece ao leitor grande trabalho artístico com a linguagem, talvez não o pretenda. No entanto, a habilidade criativa em conceber um mundo com diferentes países, idiomas, povos, costumes, climas, linhagens genéticas é, de fato, um logro criativo.
Retornando a Gabriel García Márquez, seu domínio da linguagem como instrumento artístico é inegável, bem como seu potencial criativo ao inserir o elemento mágico em seus escritos. No realismo mágico, o autor não atua como se criasse novos mundos. Ele está no nosso mundo, o elemento mágico faz parte da vida "real" dos personagens.
Como obra específica destacável por sua criatividade, apontaria 20000 léguas submarinas, de Jules Verne, pelas descrições do submarino Nautilus, quando a tecnologia para tal artefatos era ainda bem rudimentar. O autor se esmera em engenhosidade ao minuciar os processos de dessalinização da água do mar para consumo dos tripulantes, os artifícios para manutenção do oxigênio na embarcação, os mecanismos de flutuação e navegação, além de todas as diligências necessárias para uma vida completamente no mar, sem pisar em terra, como era a do capitão Nemo.
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